Priorização de inovações

Segundo Flavio Camelier, vice-presidente de transformação digital da Coca-Cola Brasil, durante a pandemia, a companhia deu ênfase às principais marcas e tamanhos de embalagens para manter a cadeia abastecida

Fernando Murad

A Coca-Cola Brasil possui uma linha de mais de 200 produtos, entre sabores regulares e versões sem açúcar ou de baixa caloria. Durante a pandemia, a companhia deu ênfase às principais marcas e tamanhos de embalagens para manter a cadeia abastecida. No entanto, a variedade do portfólio é peça-chave na proposta de ser uma empresa completa de bebidas, movimento que também norteia o trabalho de inovação em termos de produtos e canais. “Inovação de produtos continua nos nossos planos. Será um processo de descobrir que tipo de inovação deve ser priorizada, quais tínhamos iniciado este ano e devem ser retomadas ainda em 2020, ou se perderam o sentido e é melhor serem guardadas na gaveta para o próximo ano”, explica Flavio Camelier, vice-presidente de transformação digital da Coca-Cola Brasil.

Meio & Mensagem — Como a pandemia influenciou o trabalho de transformação digital da Coca-Cola?
Flavio Camelier — Fizemos uma repriorização de esforços focando nas iniciativas que, de fato, teriam a capacidade de mover a agulha. Para isso, realocamos pessoas para as frentes de digital commerce e B2B, que é a conexão com os nossos clientes do varejo fragmentado. Essa realocação nos permitiu acelerar as curvas de implementação de certos projetos como, por exemplo, o WhatsApp para o pequeno varejo, assim como nos permitiu desenvolver novas capacitações e novas rotinas para acompanhar mais de perto o que estava acontecendo nesses canais digitais com uma frequência de gerenciamento e ajustes de planos bem maior do que tínhamos antes da pandemia. Já conseguimos comunicar a mais de 350 mil clientes sobre esse novo canal no  WhatsApp — no início do ano, tínhamos comunicado para não mais que 30 mil. Hoje, já temos mais de 150 mil clientes que utilizaram mais de uma vez.

M&M — Quais outras iniciativas se tornaram prioridade para a empresa?
Flavio — Também fizemos investimento em parceiros de e-commerce, tanto com os que chamamos de food aggregators, que é o iFood, Rappi, por exemplo, assim como os supermercadistas online, parceiros como site Mercado, Pão de Açúcar e outros. Também aceleramos as ferramentas que possibilitam a digitalização do pequeno varejo como, por exemplo, a Combo, que auxilia o comerciante a comunicar suas ofertas de refeições junto a bebidas da Coca-Cola para seus consumidores. E continuamos a expandir a Wabi (plataforma de delivery desenvolvida para pequenos comerciantes criado pela Coca-Cola Argentina) no Rio de Janeiro e São Paulo também como uma ferramenta que auxilia o pequeno varejo nesse momento.

M&M — Do ponto de vista de canais de venda, quais foram as principais inovações neste período?
Flavio — Expansão da atuação em marketplace. Já temos parceria com diversos players de supermercado, como Pão de Açúcar e Carrefour. Fechamos recentemente com Magazine Luiza e estamos no marketplace deles. Também fechamos com o site Mercado, uma plataforma que agrega cerca de 900 pequenos mercados de bairro. Ou seja: se eles não são digitalizados, podem contar com a plataforma, um novo modelo de agregador de mercadinhos regionais. Também criamos uma série de vídeos de capacitação e ferramentas para ajudar restaurantes a se digitalizarem e entrarem no delivery.

M&M — Como tem sido o trabalho de integração de todos esses canais?
Flavio — É um desafio contínuo porque, ao mesmo tempo em que estamos ampliando a presença em plataformas, é preciso ajustar e refinar nossas ofertas de produtos e portfólio dentro desses canais, já que são utilizadas para jornadas distintas. Os food aggregators para refeições rápidas, de entrega, utilizam um tipo de embalagem diferente de um canal supermercadista, que é para compras de consumo futuro, por exemplo. E temos que fazer isso disponível para o nosso consumidor em qualquer ponto de contato que ele tem conosco. Costumo dizer que até quando o consumidor entra em contato para tirar uma dúvida, temos que estar prontos para passar para ele uma surpresa de oferta ou promoção em um dos canais digitais. E é isso que estamos fazendo hoje: assegurando que as pessoas tenham a jornada facilitada por um desses novos canais.

“Ao mesmo tempo em que estamos ampliando a presença em plataformas, é preciso ajustar e refinar nossas ofertas de produtos e portfólio dentros desses canais, já que são utilizadas para jornadas distintas”

M&M — Como é a relação da empresa com o universo de startups? Tem projetos de aceleração próprios ou trabalha com aceleradoras/startups em projetos específicos?
Flavio — Nosso processo de relação com startups teve uma aceleração nos últimos 12 meses mais ou menos, quando aumentamos nossa aproximação em diferentes frentes. Fizemos desafios nas áreas de inovação de embalagens e na parte de execução comercial. Esses desafios estão gerando projetos pilotos inovadores em diferentes partes do País. Também tivemos iniciativas em áreas como captura de dados de tendência de consumo que nos trazem informações de maneiras mais ágeis para o negócio.

M&M — Em relação ao portfólio de produtos, quais foram as mudanças implementadas?
Flavio — Na pandemia, o comércio vem trabalhando com menos quantidades de produtos. Neste momento tão complexo, engajar o consumidor em novos produtos e ao mesmo tempo manter a cadeia de abastecimento rodando é um esforço a ser ponderado. Isso nos leva, como também a boa parte das empresas, a manter o foco nas principais marcas e tamanhos de embalagens. Se olharmos um pouco mais para adiante, inovação de produtos continua nos nossos planos. Será um processo de descobrir que tipo de inovação deve ser priorizada, quais tínhamos iniciado este ano e devem ser retomadas ainda em 2020, ou se perderam o sentido e é melhor serem guardadas na gaveta para o próximo ano.

M&M — A questão da saudabilidade é o principal mote das inovações em termos dos produtos da empresa?
Flavio — O mundo está mudando e as empresas também precisam acompanhar esse movimento. Ser uma empresa completa de bebidas tem a ver com opções. Ao longo do dia, as pessoas bebem refrigerantes e consomem também muitas outras bebidas e produtos. Para oferecermos opções, precisamos ouvir o que as pessoas querem, estar atentos para as demandas do mercado, dos clientes, da sociedade. Hoje, o Sistema Coca-Cola Brasil atua em nove segmentos — refrigerantes, sucos, lácteos, bebidas vegetais, água, águas especiais, água de coco, bebidas esportivas e chás — com uma linha de mais de 200 produtos, entre sabores regulares e versões sem açúcar ou de baixa caloria. Apostamos em inovação de produtos e aquisições para acelerar o crescimento do portfólio e consolidar a Coca-Cola Brasil como uma empresa de bebidas completa. Mas uma parte importante da nossa estratégia é o forte investimento em embalagens retornáveis nos últimos anos. Além das garrafas de vidro retornáveis, que nunca deixaram de existir, há alguns anos temos em nossa linha as garrafas de PET retornáveis. Acabamos de lançar Del Valle Frut em garrafa pet retornável de 2 litros, que pode ser reutilizada até 25 vezes. É o primeiro suco em embalagem retornável do País.

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